Momentos

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Outro dia eu estava acho que na terceira série do primeiro grau, e eu sei que hoje a coisa nem é mais assim nas escolas, mas eu estava lá e o Collor tinha sido eleito. Minha professora de português estava comentando que era melhor assim, pois seria ruim para o país ter um presidente analfabeto.

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Na época achei o comentário estúpido, porque na minha cabeça infantil, ninguém se candidataria a presidente se não pudesse ser presidente. E também porque o nome Partido dos Trabalhadores dizia muito para mim, era o partido das pessoas que trabalham, fazia sentido. Também tinha a favor o fato deles terem elegido uma prefeita para São Paulo, a maior cidade do país. Eu tinha o quê, 8 anos?

Depois veio o governo, a política econômica, o sequestro da poupança e isso foi cruel, meus avós tinham vendido uma casa e o dinheiro foi todo perdido – eles foram roubados pelo Estado! Mas houve mais e então fomos apresentados ao Impeachment. Era a geração cara pintada. O triste é que alguns dos nomes que nasceram ali agora se destacam por estarem envolvidos em falcatruas, mas faz parte do processo.

Saiu o Collor e tivemos Itamar, topete, Fusca, plano Real e seu ministro FHC, que depois governou por 8 anos. A essa altura eu já havia me decepcionado com a política no geral. Antes achava que uma mulher governando faria a diferença, mas soube que a prefeita de São Paulo tinha feito um péssimo trabalho, comecei a perceber que apesar do que estava escrito no papel, os partidos não tinham tanta diferença ideológica, porque a ideologia mais verdadeira da maioria dos políticos brasileiros é a da vantagem, do benefício próprio. Reclamem da generalização.

Operação após operação, lavagem de dinheiro, escândalo, delação premiada, todo esse tipo de coisa e na primeira eleição que eu voto, começo a perceber que não tem muito pra onde correr, eu não consigo acreditar em nenhum candidato. Porque na hora do discurso isolado, ok até faz sentido. Mas aí você para e pensa, junta todo o histórico e não tem como. Não dá para simplesmente ignorar todo o resto. Era de prefeito.

Primeiro governo Lula, segundo governo Lula. O país não ruiu, até porque precisaria ter feito muito esforço pra isso, estávamos em um momento de ser destaque, mudar de patamar. E foram tantas decisões erradas, alianças, concessões. Tantas atitudes que eles mesmo tinham apontado no governo anterior e estavam replicando. O país só foi bem. Veio o governo Dilma, e ela superou minha expectativas no primeiro mandato. Mas as alianças colocaram tudo a perder…como estamos vendo.

Em momentos de mudança

Meu marido diz que o poder tem que trocar de lado de tempos em tempos, para manter o equilíbrio e favorecer todos os setores da economia. Porque se ficar o tempo todo focado em um só, a máquina quebra. Talvez ele esteja certo. O setor produtivo precisa de um imput, mas o setor produtivo mesmo, não quem já tá cheio de dinheiro e só quer ganhar uns milhões a mais e redistribuir propina.

Hoje o que eu vejo é muita gente discutindo política como se fosse futebol. Torcendo para uns e outros tomarem no rabo, para depois poderem comemorar com suas cervejas geladas. Também vejo o pior de suas visões preconceituosas sendo colocadas sobre a mesa.

Agressão por conta de cor de roupa. Ameaça de demissão por ter votado em tal partido. Até as crianças estão no clima. As palavras vão ficando mais pesadas, o tom de voz vai aumentando. A quem interessa isso?

Outro dia estava conversando com uns amigos, alguns falando em sair do país. Depois fiquei pensando que eu não posso sair do país por motivos de falta de dinheiro. Depois fiquei pensando se não seria covardia, na hora que a coisa fica mais difícil, em vez de realmente tentar pensar em uma solução, simplesmente virar as costas e tentar me refazer em outro lugar.

A verdade é que não sou política e não tenho habilidades para isso. Mas alguém que preste haverá de ter. E se a gente não apoiar alguém que faça a diferença, vai ter que reclamar para sempre do que se vê por aí.

 

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Gripe

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Outro dia eu estava trabalhando em um freela, alocada na agência, e era o auge da crise do zika vírus. Lembro de uma colega de trabalho chegar dizendo que apesar da gravidade da situação, uns conhecidos dela na indústria farmacêutica apontavam que o grande problema na saúde pública este ano seria o retorno da gripe.

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Imagem: google.com

Confesso que não dei tanta atenção assim. Gripe. Pego muitas, mas para mim não é nada muito sério, só um bom transtorno que no máximo deixa as pessoas com febre de licença do trabalho por uns dias.

O freela acabou, o problema da zika piorou, depois sumiu da mídia, afinal a política nacional está imbatível. No entanto duvido que tenha se resolvido. Mas a gripe começou a aparecer devagar. Febre forte. Será que é dengue?

Na lentidão do nosso sistema de saúde, o H1N1 ou os novos que não lembro a sigla, se espalham sem precisar de mosquito vetor. Antes da campanha de vacinação começar, antes do frio chegar. As pessoas não sabem o que têm.

Ainda era apenas gripe, até ontem. As pessoas passavam mal, tinham febre alta, crianças precisavam de mais cuidado que adultos. Normal. Se alguém ficava pior era só imaginar que a pessoa já tinha algum problema anterior.

Até que um adulto razoavelmente saudável, completando 38 anos, começa a apresentar sintomas de gripe em um dia, é internado à noite e morre no dia seguinte. Rápido assim. Dessa gripe. E não é um nome desconhecido, é alguém que você conheceu, que a mãe é amiga da sua mãe. Não é uma hipótese no jornal, é a realidade batendo à porta.

Sei, ficou alarmista. Mas é que fiquei chocada, de verdade. Então é aquela coisa de se alimentar direito, beber bastante água, tentar evitar agomerações, lavar bem as mãos, essas coisas.

Semelhança

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Outro dia fui em uma reunião para um freela e a moça me falou:

“Nossa, você é igual na foto.”

Eu fiquei curiosa com o comentário, mas fiquei meio sem jeito e agradeci (na dúvida, agradeço). Ainda bem que ela desenvolveu o assunto e acabou com a minha curiosidade.

photographer-861x574imagem: stock up

“Tem gente que ao vivo é muito diferente do que a gente vê na foto, mas você é igual.”

Gostei disso. De saber que as fotos que escolhi mostrar são as que parecem comigo e não aquelas que têm um ângulo, uma luz, uma aura, um quê e tal que me transformam em outra pessoa.

Isso tem muita (total) influência do meu marido, claro. É ele quem tira minhas fotos menos posadas, as que fogem das selfies com a câmera em ângulo e pescoço quebradinho. Eu tirando minhas próprias fotos sou um belo clichezinho.

Semelhança do público com o privado

Estou divagando sobre esse comentário porque questionamos tanto a “indústria da  beleza” que impõe padrões inatingíveis. A “mídia” que é opressora principalmente com as mulheres, pois perpetua figuras femininas de uma perfeição fora do real. O “machismo” que é tão permissivo com os homens e duro com as mulheres.

E temos que questionar mesmo. Mas dificilmente questionamos o que cada um de nós fazemos para alimentar tudo isso.

Claro que não vamos colocar a foto mais zoada da cidade no nosso perfil do Facebook, técnica existe para isso. Mas como diz uma amiga, eu só quero critérios. E se os critérios valem para as grandes campanhas de beleza, também podem valer para o meu dia a dia.

Por que vou achar errado a imagem de uma modelo ser tão manipulada que ela nem se parece com ela mesma na revista, mas não vou achar errado isso acontecer comigo no Facebook? Só porque ela ganha dinheiro?

Hum, a gente pode fazer melhor que isso.

Não vou ser tão crítica

Sei que nem todo mundo fica diferente na foto por motivos de manipulação de imagem. É, o devaneio é profundo, mas reconheço que tem gente que simplesmente se transforma. É dom, é talento, é coisa da vida – pro bem e pro mal.

Causa confusão, transtorno e né? Não tem o que falar nesse caso.

 

Tempos difíceis para os sonhadores

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Outro dia subi numa balança e um dos meus sonhos foi realizado: eu tinha engordado quase os 30 quilos de novo. Sim, porque pesadelo é um tipo de sonho.

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Quando você vive essa luta com a balança, e essa é parte fundamental da história da minha vida, eventualmente você ganha umas batalhas e acha que ao chegar a um número mágico a história terá um final feliz. Esse número mágico pode ser X quilos na balança, centímetros na cintura ou manequim do jeans. Cada pessoa escolhe o seu, cada época elege um como o mais saudável ou correto. Lembre-se que ele é mágico, não precisa fazer sentido.

Pois eu estava lá, flanando com minha conquista, lidando com os novos problemas por ter deixado um pré-adolescente de gordura ser metabolizado pelo meu organismo e uma coisa que você começa a ter medo é de que tudo volte.

A dinâmica é bem cruel.

  • 500 gramas e você não sabe se é paranoia ou o caminho de volta.
  • 2 quilos, mas deve ser porque estou menstruada.
  • 5, mas esse ano foi foda.
  • Outros 10, porque o desemprego tira qualquer um do eixo.

Por aí vai. Nesse meio tempo fiz academia, caminhada, yoga, academia de novo… mais foco no aeróbico, mais na musculação. Mas a cabeça, a cabeça ficou na contagem regressiva: será que vai voltar tudo? Ou ainda, quando será?

Cinco anos depois, sonho ruim realizado. Ponteiro da balança…ponteiro nada, a balança hoje é digital. Quase de volta aos números iniciais, tentando achar outro caminho pra acordar disso aqui.

Batman vs Superman

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Outro dia fui assistir Batman vs Superman, o encontro do meu herói preferido, mitologicamente falando, com o meu herói preferido, ator escolhido não por sua atuação, e na verdade eu nem gosto de escrever sobre os filmes que estão em cartaz.

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Imagem: Divulgação/Google.com

Digo isso porque cada um que crie sua expectativa, elabore suas conclusões e depois a gente conversa. Eu não ligo para spoilers, mas há quem ligue. Só que, e tenho que enfatizar aqui, sóóóóóó queeeeeee esse filme meio que tem problemas.

Se você não assistiu ainda, essa é a sua chance. Para de ler, assiste e vem discordar. Ou concordar.

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Você está aí? Você assumiu o risco.

Argumento e Roteiro

Sabe quando você responde sem pensar e a sua resposta é mal elaborada e mal interpretada? Então, imagina que esse filme parece ter sido todo feito assim, sem pensar direito.

Quando se trabalha com texto, pode-se usar várias técnicas e uma delas consiste em ir colocando todas as ideias no papel para depois ir lapidando.

A primeira parte é o tal do Brainstorm, você deixa a imaginação fluir e isso parece que rolou solto no filme:

  • E se a gente colocasse a Mulher-Maravilha?
  • E se a gente colocasse o Apocalypse?
  • E se o Lex fosse cabeludo?
  • E se aparecesse o Aquaman?
  • E se o Batman tivesse uns sonhos malucos?

Depois a gente escolhe as melhores ideias e trabalha pra que elas façam sentido. Quando temos que contar uma história, às vezes é preciso abandonar ideias maravilhosas porque elas não fazem colaboram para história. Nem tudo está perdido: você guarda as ideias para usar em outra história depois. Simples assim.

Não foi o que fizeram nesse filme. Tentaram usar tudo ao mesmo tempo e nãotrabalharam o roteiro para fazer o encaixe de tudo.

Origem do Batman

peralImagem: Divulgação/Google.com

Precisa mesmo? Pra fazer o link bem tosquinho de Martha-Martha-Mãe, contaram mais uma vez porque o menino cismou com morcegos, sem acrescentar nada, com uma caracterização bem fraca, umas cenas bem mao-meno.

Até entendo que tem gente que nasceu nos anos 90 ou depois de 2000, e essa gente não assistiu tantos filmes e desenhos de Batman quanto eu, nem leu tantas histórias, mas se vai fazer isso, faz direito. Se vai estourar o colar de pérolas da mamãe, por favor, não desperdicem.

Edição

Sinto que alguns problemas poderiam ter sido resolvidos na edição, mas pode ser implicância minha com o sentimentalismo americano. Sabe aqueles segundos a mais para tentar evocar uma emoçãozinha? Para mim ficaram cansativos.

O filme já é longo, já está sobrando na cafonice, não precisa de tantos segundos focando na pérola caindo, na terra tremendo, nos campos em frente à antiga mansão Wayne destruída…

Batman vs Superman + Mulher-Maravilha

batmanvsuperman mmImagem: Divulgação/Google.com

Ela está no filme, mas precisar, não precisava. Ela faz as cenas que a Mulher-Gato fez nos outros filmes, só que ela não é vilã. Ela aparece do nada, ninguém entende direito que poderes ela tem, e Lex nem sabe que ela está brigando.

Quando falaram que Diana apareceria na história, achei que seria legal, afinal era a heroína representante do time das garotas. Melhor tentar outra vez.

Sonhos do Batman

Para quê? Em algum momento na concepção das ideias isso pode até ter feito sentido, mas no final, ficou solto. Podiam ter cortado tudo que não ia fazer falta.

Lex Luthor

jessie-eisenberg-batman-v-superman-warner-brosImagem: Divulgação/Google.com

Pois é, esse Lex tá mal construído e não sei dizer se o problema foi no roteiro ou na cabeça do ator. Lex é megalomaníaco, genial e tal, mas não é maluquete, doidinho. Quem fazia piadas era o Coringa.

Lex sempre passou certa elegância e dessa vez faltou a segurança, a eloquência. Ding, ding, ding, ding, dong? Faça-me o favor…

Meta humanos

Muito barulho por 10 segundos de filme. Tá, 1 minuto. Não merece foto.

Apocalypse

batmanvsuperman apoImagem: Divulgação/Google.com

Se você tem alguma noção de quadrinhos, sabe que essa saga foi uma das mais importantes na história do Superman. Como assim enxertar no encontro com o Batman, com a Mulher-Maravilha, com a descoberta da Kriptonita…?

Morte do Superman

Se teve Apocalypse, Homem de Aço morre. Sério, já enfiaram tanta coisa no filme e me metem mais essa?

Parece criança contando a história:

E aí o cara levou o cachorro pra passear…e aí descobriu que o cachorro sabia voar…e aí os alienígenas invadiram a cidade…e aí o dinossauro gigante comeu a nave do alienígena…e aí o cachorro era um general interestelar disfarçado…e aí era tudo um sonho da princesa.

Como meu marido resumiu:

Queria muito ter gostado mais do filme.

 

Dia ? – Finito

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O prazo acabou. O ciclo encerrou com tantas coisas se encerrando junto, exatamente junto, que eu nem tive o afã de escrever no dia certo. Vou ter que reformular e recomeçar porque como eu havia escrito alguns dias antes, quase nada andou a contento. Quase tudo me surpreendeu pelo tanto que avançou. Bem loca a vida.

Também essa coisa de limite de 100 dias é chato. Fórmula dos outros. Vamos repensar isso.

Dia 98 – Protagonismo

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Vou me arriscar em um assunto delicado e que eu não domino #prontofalei. Para ir do começo, protagonismo é uma palavra da moda que significa característica de quem é personagem principal de peça teatral, filme, livro etc. e também pode ser qualidade de quem exerce papel de destaque em qualquer acontecimento.

E eu com isso?

Se você não presta atenção ao que acontece a sua volta, provavelmente não reparou que essa palavra tem sido usada ultimamente e nem tem ideia do que ela representa. Todo mundo quer ter voz, e todo mundo merece ter voz. Inclusive você, mesmo que seja para falar alguma besteira profunda. O direito a expressão é uma coisa que sempre queremos para nós, mas não nos importamos em calar do próximo, porque afinal, tá falando merda, cala essa boca.

Dia Internacional de Qualquer Coisa

Só que não. Não é assim. Ninguém aqui tá num filminho, seguindo um roteiro. E hoje, hoje é Dia Internacional da Mulher.

Não era pra ser grande coisa. Não deveria ser. Mas ainda precisa ser. Porque ainda tem homem fazendo merda, humilhando, batendo, matando. Tem mulher fazendo isso com outras mulheres também, claro.  E tem mulher que perpetua o machismo.

Estamos aí, todos com medo do novo. Do que vão pensar a partir do posicionamento. E julgando quem ousa sair do lugar. É Dia da Mulher e estamos aí esperando que os homens façam algo por nós. Mas quem deveria ser mesmo a protagonista da história?

Pois é, dá trabalho. Vai ter reação. Você vai ter medo. E o resultado final não é garantido. Mas até quando você vai querer ser apenas a vítima? A participação especial? A pessoa reclamando que não é valorizada?