Formatura

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Outro dia eu estava estudando para o vestibular. Eu queria ser cientista, astronauta, ser genial. Fui bem na prova. Nas provas. Pude escolher. E aí a coisa desandou, a faculdade não foi bem o que eu esperava. Um longo tempo se passou até que eu tive coragem de largar tudo e estudar para outro vestibular.

Vestibular. Fui bem na prova. Nas provas. Pude escolher de novo. Rio de Janeiro. Comunicação, publicidade. Direção de arte. Certeza. Demorei pra conseguir um estágio, o primeiro foi de telemarketing. Trevas. No segundo, redação. Mas tive que aceitar, faltava pouco pra me formar, e no final das contas, eu até gostava de escrever. Muito.

Um mês depois de ter começado o estágio, a Redatora que me contratou pediu as contas. Fiquei sozinha na agência, assumi o posto. Virei eu a Redatora da agência. Já me formei como Redatora. A história de ser Diretora de Arte acabou e eu nem sofri.

E agora, vejam só, meus amigos avisam que no final do ano vamos comemorar 10 anos de formatura. 10 anos. Já? Tudo isso? Mudei de faculdade, de especialização, de cidade algumas vezes, fiz pós até.

E foi apenas outro dia.

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Dia 64 – Bloco

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Não me entendam mal. Não sou muito disso, mas ontem sai num bloquinho. And I liked.

Mas vejamos as coisas não genuinamente carnavalescas que aconteceram. Tratava-se de um bloco na cidade de São Paulo, sob as sombras dos prédios. Sombra é muito importante.

A música não obedeceu exatamente ao padrão que eu estou acostumada para carnaval e que tais. Tocou eletrônicos e coisas mudernas, além dos axés e marchinhas clássicos.

Sem aquele medo de outros carnavais que já fui…sim, ontem achei que a rua era minha. Podia ser uma sensação falsa, mas fazia tempo que não vivia isso. Poderia bem ser verdade em manifestações também, mas estas também precisariam ser de verdade.

Pessoas. Diversidade. Respeito. Até onde vi estava tudo ali. Sem babaquices tradicionais pro meu lado. Ok, uma ilusão de carnaval. Foi uma experiência de liberdade.

 

Dia 29 – Tradição

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Todo ano o Natal não vai dar certo. Porque o País, a Economia, a Moral, o Clima, o Sentimento, alguma coisa e tudo contribui. Mas acontece um dia e depois outro e o Natal se faz, com todas as suas contradições.

A família vai se reunir na medida do possível, a comida vai estar boa na medida do talento das cozinheiras (eu inclusa), os presentes vão estar lá na medida da economia. E a gente vai tentar evitar falar de política pra evitar fadiga, porque se falar, a discussão vai longe.

Falando nisso

É tenso pensar que reunir a família significa ter briga na certa. Tanto tempo sem se ver pra chegar num dado momento e simplesmente trocar acusações de anos passados. Na casa da minha mãe nunca houve uma tradição forte de festas, mas perdi muitos familiares este ano, de modo que agora penso que faz falta. Na família do meu marido eles comemoram tudo e eu aprendi a gostar mais de festa, inclusive do Natal.

Perdoar, entender, se esforçar pra ver o lado do outro. Como falar de sírios, palestinos e Estado Islâmico se não conseguimos ter paz em uma festinha em casa? Ter boa vontade com a prima fofoqueira, com o tio de religião ou time diferente do seu, e isso por apenas algumas horas. E lembrar que não é apenas reunir pessoas pra comer, mas realmente se esforçar para ficar todo mundo bem e feliz junto.

Ou seja, vai ter Natal. Todo ano tem. Se vai ser bom, é você quem vai decidir.