Mundo da fantasia

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Outro dia eu era uma estudante de publicidade que acreditava que prêmios eram a coroação de um trabalho bem feito. No entanto, eu voltava pra casa de ônibus e o clássico revoltante “Eu podia estar roubando, eu podia estar matando…” era muito efetivo. Prêmio? Ter dinheiro.

As pessoas vendendo coisas no ônibus, no metrô ou no trem irritam. Elas passam gritando, incomodando o silêncio da sua viagem, numa atividade ilegal para vender coisas que você não precisa mas vai acabar comprando. Elas esbarram em você e muitas vezes nem pedem licença. Mas quando não estão lá, bem, você bem queria uma balinha para passar o tempo ou um fone de ouvido, sempre tem.

Leões

Com o tempo os prêmios foram perdendo significado. Quer dizer, você continua querendo ser reconhecido de alguma forma, mas começa a perceber que tem alguma coisa errada com as peças e campanhas premiadas. Elas nunca foram vistas por aí. Não venderam nada, não passaram por mil alterações do cliente ou tiverem que ser desenvolvidas em duas horas, sem briefing, depois de um dia inteiro de trabalho. Na maioria, são peças de ficção. Talvez eu não tenha entendido e os prêmios elevem a publicidade a um estágio de arte. Ela não precisa ser efetiva ou ter circulado de verdade. Vamos só trabalhar os egos.

Quase dez anos de formada e os vendedores ambulantes continuam vendendo suas coisas. Os bordões foram evoluindo, suas estratégias estão cada vez mais criativas e pode-se até dizer que estão desenvolvendo storytelling para envolver a audiência. Irritantes, ilegais e completamente integrados com a nossa sociedade. Eles não deveriam estar aí, mas você sabe quem são eles, o que eles vendem e mesmo com o dilema moral que algumas pessoas desenvolvem, eles prosperam. Eles perdem dinheiro um dia, mas no outro estão de volta.

Comprimidos

Sabe, eu não queria escrever sobre o assunto. Lá vai a Gabriela falar sobre machismo de novo. Hipocrisia de novo. É por que ela não ganhou nenhum prêmio de nada. É porque ela é insegura. Pois é, não é. Em que mundo uma peça em que se dá a entender que alguém passou outra pessoa pra trás gravando um vídeo sobre whatever é uma das melhores do mundo pra ganhar um prêmio. Se for, sério, cancela Cannes e volta todo mundo pra escola.

16175670Imagem: folha.com.br

Isso só pra não falar da questão óbvia que o outdoor dá a entender que é um cara filmando uma relação sem o consentimento da garota. Isso é um grande problema aqui no Brasil por motivos óbvios, por tudo que temos passado e não apenas no que é divulgado. Mas é um problema mundial. Ao levar uma peça esdrúxula a publicidade brasileira mostra como esse país é machista. Quando Cannes premia essa peça, o mundo (ocidental) todo mostra que não está muito atrás. E as mulherzinhas têm que ficar quietinhas, afinal é só um pouco de humor (?).

Gostaria de entender quem está com mais problemas morais no final do dia.

Dia 44 – Pauta Fria

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A marca tá lá, sem ideia do que fazer, já usou Gigi Hadid e Kardashinha na última campanha, não quer ou não pode ou não é o momento de usar Gisele, faz o quê? Resolve ser criativona e chama as supermodelos dos anos 90.
Pessoas, nada contra. Chamem, chamem muito e mostrem ao mundo que a vida das mulheres não termina aos 35 anos. Mas não vendam sua ideia como nossa, que coisa genial.

Diferentona

Já são pelo menos uns 10 anos disso. Reunião de supermodelos 90 para salvar a campanha da marca não é nada gênio e nenhuma destas reuniões foi tão maravilhosa quanto o clipe do George Michael.
Na verdade estou sendo injusta, não sei se os discursos saem assim de dentro das marcas. A da vez é a Balmain e não sei se o release da campanha falava alguma sobre originalidade, novidade. Mas o texto das revistas repetem o mesmo blábláblá de outras vezes que estas mesmas modelos maravilhosas foram recrutadas por serem ícones fashion. Sério?
Reciclagem de pauta bem rasinha. Fica parecendo aquela pauta fria de pesquisa de preço de material escolar, coisa que tá na época, inclusive.

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