Non creo en brujas pero que las hay las hay

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Outro dia eu tinha a ilusão de que os números eram entidades exatas. Pura ilusão. Números são abstrações que criamos para facilitar a vida em sociedade e como tal têm uma profunda capacidade de confundir até as melhores cabeças.

Imagem: Google.com

Tem mais, os números são facilmente manipuláveis. Quem nunca se deixou levar por um 0,99 achando que estava fazendo um grande negócio?

Se você vai mais fundo na coisa acadêmica, piora. Começa a pensar em incertezas, que 1 kg no Rio de Janeiro pode ser mais pesado que em São Paulo (mesmo que de forma quase imperceptível, mas é), que os relógios não estão tão alinhados assim e por aí a coisa vai. Não existe nada muito exato, só aproximações e limites.

Numerologia

Não vou mudar meu nome, colocar um ‘l’ a mais ou trocar um ‘i’ por um ‘y’. Mas da mesma forma que leio meu horóscopo, leio as previsões numerológicas.

Sempre dizem que sou ótima e que é pra eu tomar cuidado. Acho que autoestima e um pouco de precaução não fazem mal a ninguém, continuarei lendo.

Também leio bula de remédio e modo de usar shampoo.

Números mentem, pessoas também

Então, como falei essa história dos números serem exatos, mesmo os inteiros em operações simples, é pura falácia. Tudo é questionável e interpretável. Existe um universo de dúvidas e que tais no dois mais igual a quatro, que eu acredito que a divisão entre ciências humanas e exatas traz mais atrasos que avanços para a tecnologia. Mas vamos deixar a filosofia de lado e falar do cotidiano.

Conheço muita gente louca. Surtada, que toma decisões bizarras como quase todos os seres humanos, baseadas principalmente no conceito científico de “o que vão pensar de mim?

E quando números estão envolvidos a coisa fica pior. Como uma amiga que usava sapatos apertados por se recusar a admitir que calçava 39-40. Depois queria trocar de sapato durante a noite, porque não aguentava dançar de tanta dor nos pés. Ou a amiga que decretou que a minha vida iria acabar com a chegada dos 30 anos e o pior inferno astral de todos os tempos. Ou meus amigos cariocas que não sabem o significado de chegar no horário. Marcar às 20h e todo mundo aparecer às 22h.

Alguém vai dizer que existe exatidão nisso aí?

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Dia 97 -O fim está próximo

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Os dias não passam devagar, muito pelo contrário, e quase 100 dias depois, quase nada da minha lista foi consolidado. Isso significa nada de louros da vitória para mim, não agora, afinal, não marquei hora com o tatuador.

Vou me dar o direito de não me torturar com as minúcias de cada coisinha que fiz errado. Eu sei bem e já falei de muitas delas ao longo do tempo. Seria enfadonho. Vou poupar vocês. E eu sei o que eu fiz de errado. Quebrei uma regra que eu já conhecia de velha.

Focar em uma coisa

Foco é tudo. Escolher um foco e ir atrás dele faz tudo entrar nos eixos. Mas eu tentei abraçar o mundo e coloquei vários objetivos de uma vez. Aí não tem concentração que dê jeito. Porque se você tem foco, faz vários esforços para alcançar esta uma coisa, e esses esforços se refletem em outras áreas da sua vida. Voilá, muitas outras áreas são beneficiadas. Sem foco, sem resultado.

Ainda assim, consegui ter algumas conquistas. Parabéns para mim.

E tem mais

Sim, é verdade, coloquei metas ambiciosas demais. Fui dura demais comigo mesma. Ditatorial. Sim, como de costume, para os outros eu aconselho o equilíbrio e o autoaconchego (existe isso?) e para mim só resta o mármore e o julgamento frio. E o drama – sempre. Então o que posso dizer sobre essa escolha? Não é sustentável. Não deu certo. Abandonei várias decisões ao longo do tempo, inclusive no que eu tinha decidido por aqui.

Sim, o fim está chegando

E o que vou fazer a respeito? Estou pensando. Provavelmente, vou recomeçar. Como sempre. Até dar certo.

 

Dia 74 – Crise

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Apenas que a coisa tá toda muito estranha, sei disso, mas que naqueles biscoitos chineses sempre falam que crise e oportunidade são meio que a mesma coisa. Se tem gente perdendo, também tem gente ganhando, mesmo que seja muita gente perdendo e pouca ganhando. É péssimo, mas a coisa circula. Meio que o lance de conservação de energia, e= mc2.

Quer dizer. Não está nada muito bom neste país.

Não para uma boa parte das pessoas que acorda cedo, trabalha, paga conta, paga imposto, recebe um atendimento ruim e provavelmente também presta um atendimento mais ou menos, afinal ninguém é obrigado.
Talvez não eu ou você que somos exceção, uma multidão de exceções, não nos encaixamos, pois somos floquinhos de neve incompreendidos e muito bem representados pelos perfis ‘personagem de novela’ + irônico/indelicado. Jura que em 2016 as pessoas ainda gostam disso? Eu sou um pouco – muito – exagerada, estou generalizando e você pode ter se ofendido. Mas não deveria. Estou sendo ligeiramente debochada, não vista a camisa.

Pois é 2016, tem eleições, tem zika, e é phyno com k, tem até Jogos Olímpicos no Rio, se não mudarem de ideia e cancelarem tudo. Você pode escolher lutas pessoais ou lutas sociais, mas eu acho militância e partidarismo uma aposta ruim, porque eu não gosto de ser simplesmente uma seguidora. Mas isso é pessoal. Estamos em 2016 e acabaram as desculpas. As férias, as festas, o carnaval. Tem inflação, luta por igualdade de direitos, investigação de corrupção e tem que correr atrás das oportunidades porque nada é fácil. Bom, às vezes é, mas não dá pra contar com isso.

Dia 30 – Custo

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Ser mulher foi uma pauta e tanto em 2015. E tem gente que acha que é exagero, político que acha que mulher tem que ganhar menos mesmo, afinal vai ter filho, vai dar prejuízo. Tem homens e mulheres que ainda acham que em caso de violência sexual a mulher tava pedindo, afinal tava usando uma roupa assim, ou deu a entender alguma coisa. Todo tipo de coisa.

Mas ser mulher tem implicações mais profundas do que a gente imagina. Além da disparidade salarial, dado um mesmo cargo e resultados, tem a questão do valor dos produtos femininos.

No Instagram da revista Dazed (@dazed) eles divulgaram uma pesquisa feita nos Estados Unidos que mostra que se tiverem dois produtos similares, um para homens e outro para mulheres, os femininos serão sete por cento mais caros, em média. Parece pouco, mas pense em uma vida toda. Alguns setores têm uma porcentagem maior, como os produtos de cuidados pessoais. Acredito que no Brasil a coisa deva ser parecida.

Leis de mercado

Aí você, amigo ou amiga machista, pode alegar que as mulheres pagam mais porque compram mais, oferta e procura. Sério que vamos precisar entrar nessa história? E vamos precisar lembrar de todos os papéis que nós mulheres precisamos decidir assumir, decidir entre se arrumar e talvez ser chamada de fútil ou ficar de boa e talvez ser chamada de relaxada? E não ser bem vista no trabalho? Ou ser considerada menos competente por conta da aparência? Bom dia Bela Adormecida, o mundo real é bem por aí.

Porque os discursos de ser você mesma são lindos, mas não é sempre que coincidem com o dress code que a gente tem que seguir e no nosso caso são muitos detalhes para cuidar não virar motivo de repreensão.

 

Dia 29 – Tradição

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Todo ano o Natal não vai dar certo. Porque o País, a Economia, a Moral, o Clima, o Sentimento, alguma coisa e tudo contribui. Mas acontece um dia e depois outro e o Natal se faz, com todas as suas contradições.

A família vai se reunir na medida do possível, a comida vai estar boa na medida do talento das cozinheiras (eu inclusa), os presentes vão estar lá na medida da economia. E a gente vai tentar evitar falar de política pra evitar fadiga, porque se falar, a discussão vai longe.

Falando nisso

É tenso pensar que reunir a família significa ter briga na certa. Tanto tempo sem se ver pra chegar num dado momento e simplesmente trocar acusações de anos passados. Na casa da minha mãe nunca houve uma tradição forte de festas, mas perdi muitos familiares este ano, de modo que agora penso que faz falta. Na família do meu marido eles comemoram tudo e eu aprendi a gostar mais de festa, inclusive do Natal.

Perdoar, entender, se esforçar pra ver o lado do outro. Como falar de sírios, palestinos e Estado Islâmico se não conseguimos ter paz em uma festinha em casa? Ter boa vontade com a prima fofoqueira, com o tio de religião ou time diferente do seu, e isso por apenas algumas horas. E lembrar que não é apenas reunir pessoas pra comer, mas realmente se esforçar para ficar todo mundo bem e feliz junto.

Ou seja, vai ter Natal. Todo ano tem. Se vai ser bom, é você quem vai decidir.

Dia 22 – Véspera

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Diz a lenda que o período que antecede o aniversário é caracterizado por uma série de eventos não muito agradáveis, período tal conhecido por inferno astral. Posso falar que 2015 foi todo um grande inferno astral, e não só para mim, mas para boa parte dos brasileiros, de modo que neste mês particular não percebi nenhuma piora específica.

Acho engraçado que algumas crenças são muito enraizadas. Inferno astral é a mega blaster TPM do ano todo, com a diferença que a TPM é cientificamente comprovada pela ação dos hormônios e se restringe às mulheres. Eu me dou ao direito de ignorar ao máximo a ação de ambos.

O problema é que isso não evita que ambos me ignorem. Mas tudo bem, já tá passando.

Dia 19 – Vontade

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Existe um lugar comum chamado insatisfação feminina com o cabelo. É liso? Quer cachos. É castanho? Quer luzes. É crespo? Quer lisérrimo. Pode se falar de força da moda, imposição da mídia, porque isso existe sim.

Mas também existe uma sensação louca de que ao mudar o cabelo a gente vai mudar toda uma vida. Pois é.

Meu cabelo tem vontade própria

Desde sempre. Veja bem, durante a infância ele foi excelente, maravilhoso. Mas na adolescência, quando você realmente precisa que o cabelo funcione ele resolveu mudar sem avisar. Passou de liso para sem forma definida e eu passei a ter um juba indomável.

Depois ele cacheou. Quando descobri que meu cabelo estava cacheado pensei que a vida estava resolvida. Nessa altura já estava na faculdade, mas já podia usar cabelo solto outra vez. Durou pouco, bastou o cabeleireiro fazer um corte para valorizar os cachos e eles foram embora.

Então com vinte e três anos mais ou menos os fios brancos foram aumentando demais, tive que começar a pintar. Isso fez a textura do cabelo mudar de novo. Depois de alguns anos com o cabelo alisando e cacheando quando tivesse vontade, a onda da escova progressiva chegou e eu estraguei o meu algumas vezes com ela.

Também tive a fase de fazer luzes, de ficar ruiva…esse tipo de coisa que a gente inventa e depois não sabe porque o cabelo foi ficando fraco. Em minha defesa digo que tento tratar bem ele, dentro das minhas possibilidades.

Cabelo cresce

Deve ser por isso que não tenho dó de cortar meu cabelo. E se ele só faz o que ele quer, eu também vou fazer o que eu quiser. Sem dó.